Sobre Perdas e Recomeços.

Por que, para quê e com quem recomeçar?

Pensando em escrever sobre recomeços, refleti sobre o fato de que, na verdade, nós nunca paramos. O fluxo da vida sempre segue. Então, por que pensar em recomeço se o que vivemos é sempre continuidade?

É como o pêndulo de um relógio: costumamos dizer que ele vai e vem. Porém, sob uma outra ótica, o pêndulo vai para um lado e depois vai para o outro. Sabe por quê? Porque o tempo não volta.

O que muda, afinal? Muda a percepção de que a vida não para e não dá trégua — nem mesmo nos momentos mais difíceis. A vida segue em frente; o minuto que passou, já foi.

O que acontece, na verdade, é que às vezes precisamos desacelerar. Desaceleramos para olhar com mais calma e profundidade para as situações que nos abalaram emocionalmente: o luto pela perda de um objeto de amor (seja ele qual for); a dor da exclusão e de não pertencer; os desafios, as indiferenças e a rejeição; a separação afetiva ou as cobranças internas. Muitas vezes, caminhamos levando uma mala invisível, cheia de mágoas e de coisas que não deram certo. É possível perder-se no caminho em qualquer momento — até mesmo em um período de glória ou quando tínhamos a certeza de que tudo daria certo. E não deu.

Então, na lentidão do movimento, desaceleramos. E ao andar mais lentamente, com emoções e sentimentos girando na cabeça e no coração — entendendo ou não o processo —, nós nos transformamos.

O que quero dizer, finalmente, é que, transformada por tantas experiências, eu retomo esse lugar que prezo e que me realiza. Retorno ao trabalho que sempre me fascinou e que sempre cumpri com dedicação e seriedade. Só que, desta vez, com muito mais maturidade, presença e alegria.

Na certeza de que o caminho é sempre em frente, eu convido você a caminhar comigo nesta nova etapa. Vamos juntos?